Ai meu Deus! Janeiro já vai acabar e eu tô aqui, sem escrever um mísero textinho. É que o mundo vai acabar em breve e eu tô correndo atrás do prejuízo. Mas peraí, prometo que já volto.
Feliz ano novo!
Para passar o olho ouvindo Pink Martini – Je Ne Veux Pas Travailler
Oi, tudo bem?
Tenho uma novidade para te contar. Resolvi chutar o pau da barraca e me dar uma certa liberdade de escrever, pelo menos de vez em quando, sobre a coisa que eu mais gosto na vida depois de chocolate: MÚSICA.
E vou começar hoje mesmo pois finalmente apareceu alguém capaz de mexer comigo a ponto de merecer um post exclusivamente dedicado a uma pessoa.
Faz um tempo que estou que nem adolescente apaixonada por uma fulana ai. Tipo amor lésbico mesmo.
Conheci Lana Del Rey por acaso, há alguns meses. Na época não me causou muito impacto porque a música que ouvi vinha de uma gravação ao vivo péssima e, logo depois, pesquisando sobre a moça, li um artigo que acabava com ela, dizendo que a antes Lizzy Grat (nome original) havia se vendido para produtores para ser famosa, que havia se plastificado etc. Por isso, na época, passou batido. Desencanei achando que se tratava de mais uma nova e chata Lady Gaga.
Há mais ou menos um mês, sei lá porque, resolvi revisitar, dar mais uma chance. Joguei o nome dela (e convenhamos, que belíssimo nome artístico) no Youtube e fui atendida com a sugestão de assistir o primeiro clip da lista. Era o impressionante Born To Die.
O clip é uma super produção com uma direção de arte absolutamente perfeita e um fim tétrico mas, mesmo eu que sou contra essas produções cinematográficas por achar que múscia boa não precisa de apelo comercial, fiquei abismada. E não foi só pelo fato do clip fazer referência direta à Maconha (mais um ponto pra ela), nem pelos tigres ou figurino. Não sei o que é, mas tem alguma coisa nela que não me deixou piscar durante toda a música.
Aliás, falando em música, preste atenção à mixagem, ao arranjo, aos detalhes de backing vocal. Um casamento perfeito de alguém que entende tanto de música e tem um bom gosto tão apurado a ponto de colocar um violino escondido ao fundo do refrão. Isso não é coisa fabricada pra nascer e morrer a la Simon Cowell, que faz fenômenos tipo Spice Girls. Isso é sofisticado, é coisa bem trabalhada ajustada (não criada) sob medida para um talento que vai brilhar por anos e anos.
Mas voltando ao clip, na hora fiquei pensando que a Lana parecia uma Nancy Sinatra revisitada, com um timbre meio Fiona Apple, e uma coisa sombria e intrigante tipo Portishead. Isso sem falar no look meio indie, meio 60′s, meio sofisticado, meio Julia Roberts, meio make up Amy (se ela tivesse usado a maquiagem com classe), meio diva.
Mas era mais que isso. Eram aqueles lábios (siliconados ou não, quem se importa) que se mexiam de uma maneira diferente. Eram as unhas gigantes, os cabelos impecáveis, as roupas, os gestos, os olhos, o jeito blasé.
Cara, sei lá. Só sei que fiquei de boca aberta com a voz dessa pessoa, com a maneira que ela vai do vozeirão grave a um tom mais agudo e infantil. Fiquei mais de boca aberta ainda quando percebi que a protagonista do clip era ela mesma. E que inveja daquelas pernas!
Depois, num momento obcecada e fisgada pela indústria fonográfica (pela primeira vez em uns 15 anos), fui ler mais e descobri que ela não tem disco lançado (olha que estratégia de marketing genial), mas já assinou com uma grande gravadora e se prepara para sua avant première no fim de janeiro do ano que vem.
Seja como for, recauchutada ou não, Lizzy ou Lana, loira platinada ou ruiva, dá pra ver que ela tem uma estrela que brilha forte e que, é sim, uma revelação e tanto que vai conseguir a proeza de atingir desde o público mais pop ao mais alternativo passando pelas mais patricinhas às mais tatuadas. Certamente vai ser o comentário musical de 2012, pode apostar.
Quer saber? Graças a Deus que essa menina existe. Em um mundo cheio de Fergies, J.Los, Rihanas e Beyoncés da vida, uma novidade dessas, que consegue flertar com o “lado de lá” sem deixar de ser original e alternativa é sempre bem-vinda.
Admito: eu que sempre achei a maior pataquada esse lance de clip bacana, cantora bonitona e arrumada e grandes golpes comerciais para vender, tô com as quatro rodas arriadas.
Para ler ouvindo o que você quiser de Lana Del Rey
Disseram que a tal Marly era a melhor, a mais formidável e incrível taróloga do mundo.
Depois de tantos superlativos, não existia a hipótese da minha pessoa deixar de conhecer a tal gurú, a versão 2.0 da Mãe Diná.
Pra falar a verdade, achei bem esquisita a facilidade pra marcar um horário. Grandes tarólogas (e eu já fui em várias) costumam ter lista de espera e, muitas vezes, até secretárias para dar conta do recado.
A questão é que a recomendação era tão maravilhosa que nem assim dei chance pra desconfiança.
Liguei na terça, marquei pra quarta.
Como todas as tarólogas do mundo, a Marly atendia no fim do mundo. Mas isso também não me parecia um problema já que, desde que comprei meu GPS, não tem assunto esotérico que consiga se esconder de mim.
Depois de quase uma hora dirigindo, cheguei no endereço que me havia sido passado. Para a minha surpresa e, ao contrário das expectativas, a Marly morava super bem. O prédio dela era bonito e ficava numa rua bacana e arborizada.
Quem abriu a porta da cobertura duplex foi a empregada de uniforme engomado. A casa, meio cafona mas muito arrumada, tinha no ar um delicioso aroma de almoço, que me fazia lembrar que eu mesma não ia comer para poder estar ali naquele horário.
A empregada me colocou sentada numa salinha íntima, de onde dava para ver uma grande árvore de natal. Quando olhei para a base da árvore vi, além dos presentes, 3 livros do Paulo Coelho embrulhados com uma fita vermelha. Nessa hora não teve mais jeito, a intuição gritava em alto e bom som no meu ouvido: ROUBADA!!!
A espera do chamado e temendo atrasos por estar no rodízio, me aninhei no sofá da salinha como quem espera a hora de tomar uma injeção. Depois de uns 10 minutos a Marly me chamou.
- Pode subir!
Subi, degrau por degrau, a longa escada em caracol que dava para uma espécie de “cobertura gourmet”. Finalmente eu estava cara a cara com aquela mulher de uns 55 anos, cabelos encaracolados curtos, blusa branca de algodão, saia rodada e pantufas.
Marly não era bonita. Tinha olheiras profundas, um nariz desproporcionalmente grande para o resto do rosto e uma pele que denúnciava uma fumante convicta.
- Como você se chama?
- Sabrina.
- Qual a data de nascimento?
Ela anotou tudo e começou a fazer contas.
- A soma do seu nome dá 5. Quase que você atinge 6, que é a espiritualidade absoluta. Já o seu aniversário dá 9. Isso quer dizer que no meio do ano que vem você fecha um ciclo.
A preguiça de ouvir essas coisas que eu sei de cór ia tomando conta de mim, mas continuei firme e muda, afinal ela não tinha culpa deu entender um pouco sobre o assunto. Na verdade enquanto ela falava, eu ficava encarando o baralho.
Era um Tarot de Marselha desses, que são vendidos nessas lojinhas esotéricas de shopping, cheias de incensos e gnomos. Enfim, as cartas dela não tinham bossa nenhuma e isso me preocupou muito mais do que os livros do Paulo Coelho já que, por experiência, sei bem que tarólogos sérios costumam ter tarôs antigos, caindo aos pedaços e muitas vezes até herdados de outras cartomantes.
Mas nem assim eu desanimei. Depois da interminável explicação (cheia de erros de cálculos) sobre a minha data de nascimento, ela me pediu para colocar uma mão, tanto fazia qual, em cima das cartas e cortar o bolo em três.
Continuei muda e fiz tudo que ela mandou.
Enquanto eu colocava minha energia nas cartas, Marly pousou sua mão sobre a minha, fez uma careta tipo Woopy Goldberg em Ghost e começou:
- Tem um homem na sua vida… – e me olhava como quem busca confirmação – … e ele é estrangeiro.
Ainda dei um desconto achando que a interpretação podia ser por conta do meu namorado estar passando uma temporada profissional em Brasília. Achei melhor permanecer calada e sem esboçar qualquer feição.
- E você vai ficar grávida desse homem. Não, espere… você já está grávida!
Tive vontade de contar para ela que eu estava menstruada, morrendo de cólica. Mas mais uma vez permaneci calada.
- Não tire esse filho! O pai dele tem muito dinheiro e isso vai mudar a sua vida. Outra coisa, você precisa ter mais pé no chão, menina.
Mais uma vez tive vontade de contar pra ela que sou conhecida por ter os pés fincados no chão e ser extremamente racional.
E ela continuava:
- E você vai receber uma proposta de sociedade. E vai ser ótimo já que o seu sonho sempre foi ter o seu negócio!
Também não comentei com ela que eu sou dona do meu próprio negócio há três anos e que o meu sonho era voltar a ser empregada pra não ter mais dor de cabeça.
- Você também tem uma sogra horrível. E a sua sogra vai fazer da sua vida um inferno.
Nessa hora fiquei confusa. Como eu podia ter uma sogra se eu estava tendo um caso com o estrangeiro mais fértil do mundo, que me engravidou em pensamento?
Depois desses vinte minutos de ladainha (e acredite, teve muuuito mais ladainha) eu já estava pensando em um jeito de dizer “gata, acabei de lembrar que tenho uma reunião. Deixa eu te pagar e cair fora?”. Mas a mulher era uma metralhadora e continuava…
- E você é a filha mais nova de um lar desfeito. Por isso traz traumas das brigas que via entre seus pais…
Pô, depois dessa eu não aguentei, não tinha como. Sem nem me mexer, educadamente rebati:
- Olha, na verdade meus pais são casados há 37 anos e se amam muito. Meu pai é o homem mais apaixonado que eu já vi e, desculpa te contrariar, mas eu sou a filha mais velha de um casal que nunca, jamais brigou na minha frente.
- Ah, mas isso é o que você acha. Por exemplo a minha vizinha… eles são casados há 3o anos, tem uma vida maravilhosa. Mas dai ela vira as costas para viajar e ele enfia um monte de mulher em casa.
De novo me vi obrigada a responder:
- Tá, pode ser. Mas o meu pai jamais faria isso e por ele eu coloco a mão no fogo.
Ela me olhou fixamente, bem dentro dos olhos. Recolheu as cartas da mesa e perguntou:
- Você quer continuar a leitura?
- Olha Marly, não sei. As coisas não estão batendo ƒmuito…
Ai ela levou pro pessoal. Levantou da cadeira e com mágoa (ou raiva, sei lá) olhou novamente nos meus olhos e começou a vomitar um discurso:
- Eu sou engenheira, psicóloga e tenho mestrado em semiótica. Eu não tiro o tarô porque preciso, tiro porque tenho vidência. V-i-d-ê-n-c-i-a, tá entendendo? Em 16 anos trabalhando com isso nunca vi uma pessoa tão despreparada para ouvir as coisas que eu tenho a dizer. Você veio aqui para buscar um desafio, para me tirar do sério… e tem mais, agora quem não quer continuar sou eu! Eu não quero mais abrir o jogo para você porque meus guias estão dizendo que você está fechada, que não quer ouvir a verdade… você não acredita em nada, o seu coração é vazio e a sua fé muito vaga…
Enquanto pegava a carteira na bolsa, interrompi o blá blá blá.
- Tá bom. Quanto eu te devo?
- Nada! Eu não quero o seu dinheiro.
- Tem certeza?
- Se você não sabe ouvir minhas palavras, eu também não quero o seu dinheiro.
Dei de ombros e enfiei a carteira de volta na bolsa. Quando voltei o olhar para a Marly, ela apontava pra escada e só abaixou o braço depois que eu me encaminhei para lá. Eu desci e ela desceu atrás de mim, com passos pesados e bravos. Depois disso, abriu a porta e, novamente apontou para fora. Chamei o elevador e, assim que ele chegou, ela bateu a porta com força na minha cara.
E eu voltei rindo, gargalhando. Do fim do mundo até Pinheiros.
Para ler ouvindo – Flight Facilities -Foreign Language
Minha mãe fala coisas realmente sensacionais.
Ou pelo menos muito engraçadas.
Estavamos nós duas assistindo qualquer coisa na TV quando um cara se atraca com uma moça em algum canal. Não lembro se era um filme, uma novela ou um comercial. Só sei que, pelo contexto da coisa, se tratava de um casal de desconhecidos.
Impressionada com a pegada do sujeito, mandei na lata:
- Pô, queria ter essa disposição.
- Sério? De pegar um qualquer na rua?
- Mãe, ele não é qualquer um! Olha o tórax desse cara, olha esses braços, olha o jeito como ele beija ela…
- Ah, mas ele pode ser doente.
- Doente, mãe? Fala sério, isso aí é saúde pura!
- Só porque ele é saradão?
- É. E também era só usar camisinha.
- Ah, tá bom. Com a camisinha você não pega Aids, mas quem te garante que ele não tenha micose, sapinho ou, de repente, tuberculose?
- Tuberculose???
- É, tuberculose. Anote esse conselho no seu caderninho: quem vê corpão não vê pulmão. E tenho dito. Agora vamos mudar de canal que isso ai tá muito ridículo.
Presenciei o fato hoje numa floricultura de São Paulo.
Entra um sujeito lindo (ok, bonito vai. O lindo era só pra dar mais caldo pro texto), alto, com um terno super bem cortado e cara de apaixonado procurando pela vendedora que estava me atendendo.
“Oi, você que é a Marcia? Foi com você que eu encomendei o buquê “.
Ela que não era lá essas coisas de simpatia (pelo menos não comigo) de repente foi tomada por um altruísmo que eu nunca vi igual, tanto que me largou lá sozinha com o meu modesto maço de astromélias só para ajudar o cara.
“Ah, você é o Guilherme. Peraí que vou lá buscar pra você”.
Mas também nem tinha problema ela deixar de me atender porque eu e todas as mulheres da floricultura estavamos morrendo de curiosidade para ver o que ele ia oferecer gentilmente para a mulher mais sortuda do mundo.
Dai a Marcia sai da geladeira com um buquê A-S-T-R-O-N-ô-M-I-C-O de rosas colombianas vermelhas misturadas com orquídeas, folhagens exóticas e maças. Parece brega, mas era lindo, uma coisa dos deuses que qualquer mulher morreria para ganhar. Detalhe, já com o buquê na mão o Guilherme tirou do bolso uma caixinha azul turquesa (que só podia ser da Tiffany) e pediu pra tal da Marcia dar um jeito de colocar bem no meio do buquê.
Não me aguentei (e nem a mulherada) e os comentários começaram a correr soltos.
Primeiro eu: “puxa, acho tão lindo homem comprando flor pra mulher que ama, me derreto toda. Ainda mais se for pra pedir em casamento…”
As vendedoras que estavam ao meu lado se abanando concordaram.
Uma recitou o clássico “ô lá em casa!”. A outra disse “se tivesse um príncipe desse pra mim eu já tinha dado entrada no crediário da carruagem”. Uma outra chorava de emoção e todas em coro faziam “ooooooun” deixando o rapaz (que estava pagando a bagatela de R$ 477,00 pelas flores) sem graça.
Dai, do nada, aparece um manobrista na conversa e aponta para o carro do homem, uma BMW preta baixinha (e nem adianta perguntar porque vai ser querer de mais de mim saber o modelo. Mas era conversível e devia valer muito mais que o meu apartamento) e dá um típico palpite masculino, estragando o momento mágico:
“Tá vendo como mulher é tudo burra? Cês que fiquem com o bofe enquanto eu fujo com o carro!”.
Para ler ouvindo Pearl Jam (desculpa, mas vai demorar pra passar o entusiasmo do show e além do mais, convenhamos: o Eddie Vedder é muito homem pra casar) – Just Breath
Um dia, já faz uns 20 anos, alguém me perguntou qual era a melhor invenção do homem. Me lembro que na ocasião fiquei sem resposta e, acredite se quiser, trouxe essa pergunta comigo ao longo dos anos sem nunca conseguir chegar a uma conclusão.
Acontece que essa semana o Pearl Jam voltou ao Brasil depois de 5 longos anos. E isso me deixou num estado meio catatônico e imediatamente depois do primeiro show tive a sensação de entrar em um túnel do tempo.
De repente me dei conta do quanto envelhecemos. Se antes o Eddie Vedder escalava andaimes, balançava a cabeça durante todo o show e revirava os olhos, hoje, aos 47 anos, ele dá no máximo uns pulos e umas rodadas de microfone. O Cameron tem na pele do bumbo de sua bateria o nome dos filhos e o resto da banda desfila com cabelos curtinhos e óculos.
Já nós, o público, se antes cantávamos aquelas músicas com 13 anos, hoje cantamos com 30. Também não temos mais longas cabeleiras e, certamente, se voltassemos com o jeito headbanger de ouvir música teriamos uma séria dor de cabeça.
E isso me fez ver o quanto já andamos com nossas vidas. Me lembro de ser pré adolescente e ficar sentada em frente ao meu enorme aparelho de som (como a gente gostava de coisas grandes nos anos 90) ouvindo, cantando, tirando acordes aéreos durante os solos de guitarra e da bateria. Claro que não era só o Pearl Jam. Também tinha Ramones, Nirvana, Mudhoney, Alice in Chains, Lemonheads, Black Sabbath, Pixies, Sonic Youth e mais uma lista interminável de bandas e cantores de todos os gêneros de rock.
Era um tempo onde não havia internet e tratavamos de nos ocupar com música. A MTV havia acabado de chegar no Brasil e a programação estava muito, muito longe de ser essa grande porcaria que é hoje. Através dela conheciamos as bandas mais legais e, pelo menos eu, encomendava uma lista enorme de CDs a todos os parentes que iam viajar para o exterior.
Quem viveu naquela época e não se lembra de ficar sentado no quarto olhando para a parede e cantando a tarde toda enquanto simplesmente ouvia o que as letras e os músicos estavam falando? Me atrevo até a dizer que a minha geração aprendeu a falar inglês só para entender as letras das músicas.
Mas a questão é que aquelas calças rasgadas, All Stares pretos furados, camisas de flanela e cabelos enormes (tanto nos homens quanto nas mulheres) nos tornavam pessoas. Era através disso que conseguiamos nos comunicar com o mundo enquanto sobreviviamos a ele. E tudo aquilo fazia muito sentido. Era quase que um ato político gostar dessas bandas. O movimento grunge e o punk tinham força e, fato, foram os últimos movimentos musicais que diziam e representavam alguma coisa.
Naquela época as letras das músicas tinham relevância. Falavam sobre aborto, solidão e política. As coisas tinham mais sentido e aquelas bandas eram as porta-vozes de uma geração inteira. Rostos como Eddie Vedder e Kurt Cobain decoravam nossas paredes, camisetas, fichários e conviviam lado a lado com os Beatles, Jimy Hendrix, Rolling Stones e Led Zeppelin em nossos CD players.
Mas como eu já disse lá em cima, é muito engraçado perceber que agora somos parte de um sistema e não temos mais tempo para idealizar, sonhar e ficar sentados olhando para a parede, ouvindo música e pensando na profundidade das letras e acordes.
Mas não tem problema. Mesmo que os nossos ídolos comecem a fazer plástica, mesmo que o som do estádio não seja mais tão alto quanto era antigamente, mesmo que as camisas de flanela tenham dado lugar a camisas sociais, mesmo que os cabelos compridos tenham sido cortados, mesmo que hoje em dia sejamos todos caretas e que as músicas do nosso tempo já tenham 20 anos de idade eu ainda acredito no Rock.
Ainda acho que um dia vou ter o prazer de ver meus filhos ouvindo meus CDs antigos com a mesma curiosidade e interesse com que eu ouvia os discos de vinil dos meus pais.
Espero que os novos adolescentes percebam que o rock é para ser branco e preto e não colorido e cheio de frescura (com exceção do Kiss que tem licença poética para ser daquele jeito). E que as novas gerações consigam entender que o o rock existe para libertar e não para rotular.
E é por isso que finalmente consegui chegar a uma resposta para aquela pergunta que martela na minha cabeça há tantos anos.
A melhor invenção do homem foi, sem qualquer sombra de dúvida, o bom e velho Rock n’ Roll.
O cara chega aqui, vestido de anos 60 com um topete preso no topo da cabeça por um granpo vermelho, calça justa e botina amarela.
Pergunto por que ele gostaria de ser vendedor em loja de decoração.
O sujeito responde que é jornalista e só queria vir porque está sem emprego. Quando percebe o erro complementa dizendo que, na verdade, adora moda e acha que os mundos moda e decoração se complementam.
Ofereço ajuda, dizendo que se não rolar aqui (e claro que não ia acontecer), poderia enviar o CV dele para os amigos da área, pessoas que trabalham em revistas e sites de moda importantes.
Ele responde “muito obrigado mas não precisa”.
Retruco desconfiada: “tem certeza?”.
E ele certo do que estava dizendo completa: “eu gosto de cobrir Oriente Médio, o resto é bobagem”.
Dai não consigo me conter, quase pulo da cadeira de vontade de perguntar até que aquilo sai de dentro de mim naturalmente…
“Ah é? Então me diz, você é pro Israel ou Palestina?” e ele, exaltado, vermelho e sem nem pestanejar responde com idealismo: “Palestina!!! Sempre!!! Morte a Israel!!!”.
Agradeço pela entrevista, me levanto e dou um cartão para ele. O sujeito lê atentamente meu sobrenome e timidamente pergunta: “Ai, você é judia, né?”
A seguir um texto que estava ensaiando escrever há um tempão.
Ele é, acima de tudo, super pessoal e um grande desabafo.
Papai e mamãe já estavam casados havia 6 anos e não tinha jeito da mamãe conseguir engravidar. Porém o destino resolveu pregar uma peça na família e, uma semana depois de dar entrada nos papéis para adoção de uma criança, descobriram que eu estava para chegar. O resultado foi que eu nasci e minha mãe, toda serelepe e achando que o milagre nunca mais se repetiria, deu a luz a minha irmã exatos 12 meses e meio depois.
E Sábado, 30 anos e 2 meses depois de sua chegada a este mundo, vai acontecer um grande casamento. Mas calma que é o dela, não o meu.
Pra resumir a história, meu cunhado a pediu em casamento em julho do ano passado. De lá pra cá eu, que sou mais velha e solteira, passei a lidar com coisas que nunca imaginei existirem. E esse texto é sobre isso, sobre um pouco do que eu senti e ainda sinto nesse último ano.
A primeira pessoa que soube do noivado, no dia seguinte, foi minha prima mais querida (que também é solteira e tem uma irmã – 6 anos mais nova – casadíssima). Fiquei surpresa quando o único comentário que ela emitiu foi: “Putz, Sá, e como você se sentiu? Quando a minha irmã mais nova noivou parecia que o mundo estava ruindo de baixo dos meus pés. Fiquei sem chão”.
Para ser sincera, quando eu soube não senti nada disso. A única coisa que me passou pela cabeça foi um receio pela euforia da minha irmã e uma imensa vontade de que ela e meu cunhado nunca brigassem e fossem para sempre felizes. Mas em compensação eu nunca poderia imaginar que o caminho para o altar fosse tão longo.
Para mim o bicho pegou mesmo em fevereiro desse ano, quando ela me convidou para ir junto na procura pelo vestido ideal. Na cabeça dela já estava tudo certo: tinha que ter o corte tal, não podia ter brilho, renda nem bordados. Tinha que ser chique, sofisticado e nada romântico. E não rolava mandar fazer porque era pouco prático.
Algumas maisons (não pode falar loja que é cafona) depois, encontramos o eleito. Como de vez em quando eu assisto aqueles programas tipo Noivas Neuróticas da TV a cabo onde só tem noivas doidas e irmãs emotivas, achei que fosse chorar ao ver minha irmã sendo a própria personificação da candura de baixo daquelas camadas de tecido branco. Que nada! A única coisa que me deu foi vontade de comer os bem casados oferecidos na loja, quer dizer, maison, e também o bom senso de fotografar o vestido escolhido para que ela se lembrasse do modelo (que levaria 6 meses para ser trazido de fora) e pudesse escolher melhor os acessórios. Mas depois de sair da loja, enquanto dirigia de volta para o trabalho, a ficha foi caindo… minha irmã não ia mais morar comigo, roubar meu carro nos dias do rodízio dela nem alagar o banheiro ou pegar minhas melhores meias.
Foi nessa hora que bateu um pânico. A sensação foi de que um pedaço meu estava indo embora, que alguém estava roubando algo que me pertencia. E olha que nós nunca fomos aquelas irmãs melhores amigas.
Fiquei confusa, entrei em parafuso e desabei no colo do meu pai. Chorei até não poder mais enquanto ele dizia “ela não está se mudando de país, só de bairro. Para com isso!”.
Nessa mesma noite fui com meu namorado (sim, porque eu sou solteira, não encalhada) jantar com a turma. Os nossos amigos haviam convidado outros amigos e tinha muita “gente nova” na mesa. Timidamente comecei a bater papo com 2 desconhecidas e a mágica aconteceu. Ambas eram irmãs mais velhas que tinham irmãs mais novas que haviam se casado antes. Foi assustador ver como a conversa fluiu e como eu não estava exagerando ou imaginando coisas. Elas relataram a mesma sensação e ainda colocaram o dedo na cara no meu namorado dizendo que sabiam o quanto uma irmã mais velha podia ficar sensível ao ver a mais nova se casar e que especialmente agora ele tinha que ter paciência e cuidar de mim. Elas me entendiam, sabiam o que eu estava sentido! E desse fato isolado nasceu uma das amizades mais sólidas e generosas que eu tenho hoje. Foi um presente que tem me ajudado a transitar com mais facilidade por esse periódo.
Mas voltando, depois disso e das conversas com essa nova amiga comecei a perceber o quanto o meu cabelo estava curto para fazer um penteado bacana. E nunca mais cortei as madeixas. Fiz de uma viagem profissional à Itália uma via crúsis pelo vestido ideal. Comprei um tão justo que tive que me matricular na academia (que até então era uma coisa que eu achava repugnante) para caber no meu modelito sereia de tule azul-marinho. Um verdadeiro martírio.
Já cansou de ler? Então saiba que depois vieram as tardes de escapolida do trabalho para ajudar minha irmã com tudo que ela precisasse (dermatologista, doceiros, degustações, costureira, chá de cozinha, etc, etc, etc e mais um milhão de etc).
Durante o processo vi minha mãe surtar inúmeras vezes. Minha irmã menos, mas idem. E levei muita porrada à toa pelo nervosismo geral da família. Me senti excluída, esquecida e morri de medo que todos achassem que eu estava tendo uma crise de ciúmes infantil. Me afastei de todos por um tempo, chorei e sofri até não poder mais.
De tanto acompanhar todo o processo e a vida da minha irmã tão de perto, acabei repensando minha própria vida, meu estado civil, minhas decisões, minha condição financeira, meus relacionamentos, minhas crenças e mais um montão de coisas. Tive que remarcar muitos compromissos para conseguir acompanhar jantares de noivado, casamento civil, testes de cabelo e maquiagem etc.
Passei mais de um ano ouvindo apenas 2 frases: “e ai, como estão os preparativos pro casório?” e “quando é a sua vez?”.
Entrei num processo de sentir culpa por tudo. Se eu não ajudasse no chá de cozinha… culpa! Se cortasse o cabelo e estragasse o penteado que bolamos… culpa! Se fosse viajar no final de semana no lugar de ajudar com algum preparativo… culpa!
Na semana passada meu grau de exaustão com essa história chegou a tal ponto que comprei uma passagem e me exilei na Bahia por 6 dias. Embora eu tenha passado boa parte do tempo dormindo, entregue ao cansaço e a falta de paciência, foi incrível pois eu sinceramente já nem sabia mais como era pensar um pouco em mim ou como ficar 2 dias sem pensar nesse único assunto que fez o mundo parar de girar.
Mas a questão toda e o ponto alto desse desabafo que com certeza é um dos textos mais chatos e desinteressantes que eu já escrevi é que hoje, a 1 dia e meio do casamento eu percebo que estou adorando meu cabelo mais comprido, estou 2,5kg mais magra e viciada em ir a academia e correr. E o mais incrível e absurdo: acredite se quiser todo esse suor me deu a maior aula de auto conhecimento que eu já vivi. De tanto ver tudo acontecendo tive a oportunidade de descobrir que nem tudo que serve pros outros, serve para mim. Hoje sei melhor quem eu realmente sou, do que eu gosto, de quem eu gosto e o que eu sinto. Hoje também consigo perceber melhor como vejo o mundo e como o mundo me enxerga.
Agora sei coisas banais mas imprescindíveis, que me fazem ter ainda mais certeza da essência que carrego comigo. Por exemplo, hoje eu sei que jamais faria uma festa enorme como a da minha irmã (não condenando, pelo amor de Deus, apenas constatando). Que se um dia eu casar, gostaria que fosse algo pequeno, em alguma praia e só para os mais queridos. E digo mais: com um vestidinho curto de algodão e havaianas nos pés. Hoje eu sei que um apartamento incrível nos jardins e um carro importado não são sinônimos de felicidade para mim. Conheço melhor os meus valores, estou mais feliz comigo mesma e o mais importante: sei que estou no caminho certo. Um caminho que leva, sem escalas, para dentro de mim. UFA!
Depois de quase 2 meses da viagem dele pela Ásia a saudades do casal só aumentava.
Um dia, já no final da viagem, o namorado encontrou um lugar com boa conexão a internet e ligou para ela via Skype cobrando que sentisse a mesma saudades que ele alegava sentir.
Indignada respondeu: “mas eu estou morrendo de saudades! Só falo de você para todo mundo o tempo todo! Vivo falando para o mundo o quanto você é maravilhoso…”
E o namorado feliz respondeu: “eu também, só falo de você. Ontem mesmo entrei em 4 lojas procurando um presente e falei para todos os vendedores de roupas: my girlfriend’s size is extra small”.
Para ler ouvindo Beulah – Popular Mechanics For Lovers
A seguir uma história tão ridícula que eu não vou nem me dar ao trabalho de inventar um personagem para me substituir.
Um dia, já tem uns bons anos, meu primo resolveu que era hora de me arrumar alguém porque, segundo todo mundo, “A Sabrina estava ficando velha e encalhada”.
Até ai tudo bem, eu juro que já estou acostumada. Aliás estou tão acostumada que até achei graça outro dia quando uma amiga minha, dez anos mais velha e mãe de 3 crianças, me disse: “Sá, você já pensou em congelar seus óvulos? É melhor considerar, afinal do jeito que as coisas andam na sua vida… seria bom garantir”. Juro que ri. Amarelo, mas ri.
Mas voltando ao meu primo, para ele não bastava ser um alguém qualquer. Tinha que ser O CARA. E para ser tudo isso ele tinha que, claro, passar pelo crivo da família e ser um cara legal. Também tinha que ser descolado, ganhar bem, não ser tão feio ou pelo menos não ter o maior nariz ou as maiores costeletas do universo, e uma série de outros itens que não interessam para ninguém que esteja lendo isso ou sequer para mim.
Por quê disso tudo? Por que segundo ele, “eu sou coisa fina e mereço o melhor”. Tudo mentira! O que ele realmente queria era uma boa companhia para jogar poker quando eu frequentasse sua casa na praia aos finais de semana.
A questão é que mais pela encheção de saco do que por interesse, concordei em aceitar o amigo tão sensacional que ele havia sugerido no MSN. Nos adicionamos, foi um momento tenso. O Nick do cara, me lembro até hoje, era “monday, monday”. Cliquei no nome dele e a janelinha abriu. Completei com o resto da letra da música com a frase seguinte do refrão “so good to me”. Depois de 2 minutos pulou uma resposta pensada. “Opa, já gostei de você!”.
E dai em diante ficamos uma ou duas horas papeando na frente do computador. Nos adicionamos no Orkut (em minha defesa naquela época nem existia Facebook), vimos as fotos um do outro e combinamos de sair. Confesso que até fiquei empolgada. Eu tinha acabado de sair de um relacionamento muito ruim e, na época, aquilo parecia fazer algum sentido.
Sobre o fulano em questão posso contar que ele não era nem feio nem bonito embora fosse baixinho, trabalhava como músico, tinha uma banda que estava ganhando fortunas tocando em casamentos, e alguns outros projetos paralelos já bastante respeitados. A prova disso é que marcamos de nos encontrar a primeira vez no show de uma amiga minha que é cantora e, quando eu contei para ela com quem ia, ela se dobrou em elogios ao trabalho dele.
Bom, como eu queria dar um beijo de boa sorte na minha amiga, ficou combinado que eu iria antes e o encontraria na portaria às 21 horas. E assim foi feito. Me arrumei bem bonitinha e cheguei com antecedência. Falei com a minha amiga e com toda a banda dela e fui para a porta esperar o cidadão. Fiquei 1h30 plantada e nada. Eu ligava, mas ele não atendia. Fiquei puta. Puta, não, putíssima!
Assisti o show inteiro deprimida. Minha amiga cantava olhando para mim e sorrindo e eu era incapaz de retribuir o carinho. Levar cano é o tipo da coisa que faz qualquer mulher murchar e duvidar de si mesma.
Assim que cheguei em casa fiz a única coisa que me restava: liguei o computador e fui adiantar os trabalhos do dia seguinte. Mal acendeu a luz da tela e já pulou a maldita janelinha do msn “desculpa!”. Engoli em seco e respondi “ok”. Mas ele continuou “eu tive um imprevisto, foi mal… meu primo apareceu…”. A ladainha só parou quando topei sair com ele para uma segunda tentativa. Nessas horas que a gente olha para trás e vê o quanto éramos idiotas quando mais novas, impressionante.
O dia da segunda tentativa chegou. Me arrumei bonitinha de novo. Jeans, blusa preta, sapatilha, rímel nos olhos. A palhaçada estava marcada para às 20h mas quando eu já estava com o saco na lua de esperar, lá 21h30, chegou uma mensagem no meu celular “vou atrasar, não quer mesmo deixar para outro dia?”. Possuída de ódio respondi “se não for hoje não sera nunca mais!”.
Às 22h ele apareceu. Quando entrei em seu carro veio aquela pergunta mais cretina que um homem (aloooou homens, dica!) pode fazer “e ai, aonde vamos?”. Nesse momento senti uma reação involuntária dos músculos do meu braço começando a se contrair para fazer um movimento de soco na fuça do sujeito quando fui novamente tomada pela razão, educação e meiguice que me são peculiares: “qualquer lugar que esteja aberto”.
Seguimos para a Vila Madalena, o que foi uma grande vantagem. Além de ser do lado de casa pelo menos lá eu estava no meu território.
Sentamos em um bar vazio. Eu pedi um chopp e ele uma sopa de mandioquinha. Ambos nos fitamos por alguns segundos tentando entender o pedido alheio.
“Você bebe?”
“Não, só quando saio com os amigos. E você, sempre pede sopa de mandioquinha nos bares?”
“Não. Só quando já está tarde e eu estou com sono.”
E no decorrer da noite ele falou, falou, falou, falou. Em alguns momentos ele se gabava de ser um exímio músico (…), em outros contava vantagem por falar 5 línguas. Em outros momentos queria que eu ouvisse as músicas que havia feito para as ex namoradas (alooou homens, outra fica: nunca, jamais façam isso) e num outro momento mais crítico ainda queria saber o que eu achava sobre um carro da Citroen que custava R$ 170.000,00 e que ele queria comprar a vista.
A noite foi das mais longas da minha vida e eu não tive uma única chance de abrir a boca para falar de mim.
Quando eu já não aguentava mais de verdade resolvi apelar. Como eu sabia que ele era um coxinha master daqueles que só gosta de mulher linda, perfumada e não solta pum nem faz coco, tive a brilhante idéia de tirar o maço de cigarros da bolsa.
“Desculpa, mas eu fumo. Você, que é músico e descolado, não se incomoda, né?”
E com os olhos arregalados ele respondeu “sim, me importo” e fez a coisa mais bizarra que qualquer cara com quem eu já tenha saído jamais fez.
O CARA PEGOU MEU MAÇO DE CIGARROS E O ISQUEIRO DA MINHA MAO E AREMESSOU NO MEIO DA RUA!
Espantada fiquei sem reação. Não sabia se esganava ou se salvava o meu isqueiro de estimação. Resolvi salvar o pacote tabagismo. Mas foi nessa hora que um carro passou e atropelou meu vício. L e n t a m e n t e. Cigarro por cigarro.
Quando voltei meu olhar para o panaca ele estava sugando a sopa e fazendo aquele maldito ruído “vrrrrrrrrrrrrrrrrr” que só as pessoas com mais de 80 anos fazem quando tomam líquidos.
“Bom, tá tarde, eu quero ir para casa” – disse eu.
“Ok. A conta ficou em R$15 para você e R$27 para mim”.
Paguei com raiva.
Ele pegou o carro para me deixar e mesmo sem congestionamento a Vila Madalena nunca foi tão parada. Aquilo lá parecia a eternidade no inferno.
Depois de 10 minutos que pareceram mais 10 horas chegamos. E no momento em que eu fui descer do carro ele me puxou “passa a mão aqui no meu pescoço. Sentiu? É um caroço. Eu fiquei doente, um curandeiro me salvou”.
Ele continuava puxando com a intenção de se aproximar do meu rosto para me beijar (porque afinal ele assassinou meu cigarro antes que eu pudesse dar uma única tragada).
Sem entender nada simplesmente respondi “que pena que as coisas deram certo com o curandeiro!” e sai do carro disparada para entrar em casa.
E se você acha que a humanidade se livrou desse banana para sempre saiba que ele está de casamento marcado com uma antiga VJ da MTV e ainda por cima vai tocar no casamento da minha irmã (mais nova) no mês que vêm. E pior! Outro dia eu estava fuçando o iPod do meu namorado e vi todo um set com as músicas dele.
Ninguém merece.
Para ler ouvindo The Specials – Rudy, a message to you