Texto de auto ajuda para irmãs mais velhas solteiras

A seguir um texto que estava ensaiando escrever há um tempão.
Ele é, acima de tudo, super pessoal e um grande desabafo.

Papai e mamãe já estavam casados havia 6 anos e não tinha jeito da mamãe conseguir engravidar. Porém o destino resolveu pregar uma peça na família e, uma semana depois de dar entrada nos papéis para adoção de uma criança, descobriram que eu estava para chegar. O resultado foi que eu nasci e minha mãe, toda serelepe e achando que o milagre nunca mais se repetiria, deu a luz a minha irmã exatos 12 meses e meio depois.
E Sábado, 30 anos e 2 meses depois de sua chegada a este mundo, vai acontecer um grande casamento. Mas calma que é o dela, não o meu.
Pra resumir a história, meu cunhado a pediu em casamento em julho do ano passado. De lá pra cá eu, que sou mais velha e solteira, passei a lidar com coisas que nunca imaginei existirem. E esse texto é sobre isso, sobre um pouco do que eu senti e ainda sinto nesse último ano.

A primeira pessoa que soube do noivado, no dia seguinte, foi minha prima mais querida (que também é solteira e tem uma irmã – 6 anos mais nova – casadíssima). Fiquei surpresa quando o único comentário que ela emitiu foi: “Putz, Sá, e como você se sentiu? Quando a minha irmã mais nova noivou parecia que o mundo estava ruindo de baixo dos meus pés. Fiquei sem chão”.
Para ser sincera, quando eu soube não senti nada disso. A única coisa que me passou pela cabeça foi um receio pela euforia da minha irmã e uma imensa vontade de que ela e meu cunhado nunca brigassem e fossem para sempre felizes. Mas em compensação eu nunca poderia imaginar que o caminho para o altar fosse tão longo.
Para mim o bicho pegou mesmo em fevereiro desse ano, quando ela me convidou para ir junto na procura pelo vestido ideal. Na cabeça dela já estava tudo certo: tinha que ter o corte tal, não podia ter brilho, renda nem bordados. Tinha que ser chique, sofisticado e nada romântico. E não rolava mandar fazer porque era pouco prático.
Algumas maisons (não pode falar loja que é cafona) depois, encontramos o eleito. Como de vez em quando eu assisto aqueles programas tipo Noivas Neuróticas da TV a cabo onde só tem noivas doidas e irmãs emotivas, achei que fosse chorar ao ver minha irmã sendo a própria personificação da candura de baixo daquelas camadas de tecido branco. Que nada! A única coisa que me deu foi vontade de comer os bem casados oferecidos na loja, quer dizer, maison, e também o bom senso de fotografar o vestido escolhido para que ela se lembrasse do modelo (que levaria 6 meses para ser trazido de fora) e pudesse escolher melhor os acessórios. Mas depois de sair da loja, enquanto dirigia de volta para o trabalho, a ficha foi caindo… minha irmã não ia mais morar comigo, roubar meu carro nos dias do rodízio dela nem alagar o banheiro ou pegar minhas melhores meias.
Foi nessa hora que bateu um pânico. A sensação foi de que um pedaço meu estava indo embora, que alguém estava roubando algo que me pertencia. E olha que nós nunca fomos aquelas irmãs melhores amigas.
Fiquei confusa, entrei em parafuso e desabei no colo do meu pai. Chorei até não poder mais enquanto ele dizia “ela não está se mudando de país, só de bairro. Para com isso!”.
Nessa mesma noite fui com meu namorado (sim, porque eu sou solteira, não encalhada) jantar com a turma. Os nossos amigos haviam convidado outros amigos e tinha muita “gente nova” na mesa. Timidamente comecei a bater papo com 2 desconhecidas e a mágica aconteceu. Ambas eram irmãs mais velhas que tinham irmãs mais novas que haviam se casado antes. Foi assustador ver como a conversa fluiu e como eu não estava exagerando ou imaginando coisas. Elas relataram a mesma sensação e ainda colocaram o dedo na cara no meu namorado dizendo que sabiam o quanto uma irmã mais velha podia ficar sensível ao ver a mais nova se casar e que especialmente agora ele tinha que ter paciência e cuidar de mim. Elas me entendiam, sabiam o que eu estava sentido! E desse fato isolado nasceu uma das amizades mais sólidas e generosas que eu tenho hoje. Foi um presente que tem me ajudado a transitar com mais facilidade por esse periódo.
Mas voltando, depois disso e das conversas com essa nova amiga comecei a perceber o quanto o meu cabelo estava curto para fazer um penteado bacana. E nunca mais cortei as madeixas. Fiz de uma viagem profissional à Itália uma via crúsis pelo vestido ideal. Comprei um tão justo que tive que me matricular na academia (que até então era uma coisa que eu achava repugnante) para caber no meu modelito sereia de tule azul-marinho. Um verdadeiro martírio.
Já cansou de ler? Então saiba que depois vieram as tardes de escapolida do trabalho para ajudar minha irmã com tudo que ela precisasse (dermatologista, doceiros, degustações, costureira, chá de cozinha, etc, etc, etc e mais um milhão de etc).
Durante o processo vi minha mãe surtar inúmeras vezes. Minha irmã menos, mas idem. E levei muita porrada à toa pelo nervosismo geral da família. Me senti excluída, esquecida e morri de medo que todos achassem que eu estava tendo uma crise de ciúmes infantil. Me afastei de todos por um tempo, chorei e sofri até não poder mais.
De tanto acompanhar todo o processo e a vida da minha irmã tão de perto, acabei repensando minha própria vida, meu estado civil, minhas decisões, minha condição financeira, meus relacionamentos, minhas crenças e mais um montão de coisas. Tive que remarcar muitos compromissos para conseguir acompanhar jantares de noivado, casamento civil, testes de cabelo e maquiagem etc.
Passei mais de um ano ouvindo apenas 2 frases: “e ai, como estão os preparativos pro casório?” e “quando é a sua vez?”.
Entrei num processo de sentir culpa por tudo. Se eu não ajudasse no chá de cozinha… culpa! Se cortasse o cabelo e estragasse o penteado que bolamos… culpa! Se fosse viajar no final de semana no lugar de ajudar com algum preparativo… culpa!
Na semana passada meu grau de exaustão com essa história chegou a tal ponto que comprei uma passagem e me exilei na Bahia por 6 dias. Embora eu tenha passado boa parte do tempo dormindo, entregue ao cansaço e a falta de paciência, foi incrível pois eu sinceramente já nem sabia mais como era pensar um pouco em mim ou como ficar 2 dias sem pensar nesse único assunto que fez o mundo parar de girar.
Mas a questão toda e o ponto alto desse desabafo que com certeza é um dos textos mais chatos e desinteressantes que eu já escrevi é que hoje, a 1 dia e meio do casamento eu percebo que estou adorando meu cabelo mais comprido, estou 2,5kg mais magra e viciada em ir a academia e correr. E o mais incrível e absurdo: acredite se quiser todo esse suor me deu a maior aula de auto conhecimento que eu já vivi. De tanto ver tudo acontecendo tive a oportunidade de descobrir que nem tudo que serve pros outros, serve para mim. Hoje sei melhor quem eu realmente sou, do que eu gosto, de quem eu gosto e o que eu sinto. Hoje também consigo perceber melhor como vejo o mundo e como o mundo me enxerga.
Agora sei coisas banais mas imprescindíveis, que me fazem ter ainda mais certeza da essência que carrego comigo. Por exemplo, hoje eu sei que jamais faria uma festa enorme como a da minha irmã (não condenando, pelo amor de Deus, apenas constatando). Que se um dia eu casar, gostaria que fosse algo pequeno, em alguma praia e só para os mais queridos. E digo mais: com um vestidinho curto de algodão e havaianas nos pés. Hoje eu sei que um apartamento incrível nos jardins e um carro importado não são sinônimos de felicidade para mim. Conheço melhor os meus valores, estou mais feliz comigo mesma e o mais importante: sei que estou no caminho certo. Um caminho que leva, sem escalas, para dentro de mim. UFA!

Para ler ouvindo Ingrid Michaelson – Be Ok

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5 responses to “Texto de auto ajuda para irmãs mais velhas solteiras

  1. bem… fico feliz em ter apenas um irmão mais velho! rs. compreendo seu sentimento em relação a mana e à família, mas a questão em si me parece bem mais de cunho cultural! essas coisas tradicionais de casamento, e a tal ‘segurança’ adquirida por meio dele, enfim… Mas tudo isso – digo, as angústias – teve um lado bom né?! Você acabou parando para se auto analisar! sempre importante… Vejo o casamento – pra mim – como um acordo de cumplicidade e compartilho o desejo de que seja na praia, para os poucos e bons amigos, fogueira e flores no cabelo… só trocarei as havaianas pelo pé na areia… ;)
    beijos…
    ah, e tudo de melhor aos recém-casados!!

  2. Olá, conheci o blog quando uma amiga compartilhou no face um link de um texto sobre os 30 anos e, apesar de ainda não ter 30, me vi em boa parte daquele desabafo. Mas, confesso que com esse texto, me identifiquei 100% (!) e olha que quem está casando é o meu irmão, mais novo…
    Também peguei firme na academia, penso em vestidos e canso de ouvir: e vc Dani, quando casa? Parabéns sassá!!! ps – adoro seu corte de cabelo, aonde e com quem vc corta?? bj

  3. Oi Dani, tudo bem? Puxa, cada vez que alguém comenta aqui falando coisas legais ou me manda um email eu ganho meu dia. Obrigada. Eu nunca divulgo meu blog e é bacana saber que tem gente por ai que curte e faz isso por mim e melhor: que tem gente que se identifica.
    Mas agora, me diz uma coisa: menina, aonde você viu meu corte de cabelo? Fiquei curiosa: quem é nossa amiga em comum? Ou será que temos uma amiga em comum? Te pergunto porque um dia recebi o meu próprio texto por email…
    Quanto ao cabelo, olha, cansei de ser enganada por modernets com navalhas afiadas e destruidoras e agora só corto com a cabelereira mais fofa do mundo que é também minha amiga querida. Ela se chama Camila e trabalha no L’atelier 312. A Mila não é barata mas em compensação seu cabelo vai te agradecer pro resto da vida. Só tem que ligar lá e ver se ela já voltou da licença maternidade pq acabou de dar a luz a uma princesinha e até uma ou duas semanas só estava cortando o cabelo de quem ela gostava nuns horários esquisitos.
    Outra coisa: depois vou te mandar umas dicas de vestido e maquiador no hotmail que você cadastrou. Crtz que vão ser muito úteis!
    Beijão e bom feriado

  4. Olá Sassá! Pelo que me lembro foi uma amiga minha que “curtiu” o post de outra amiga que remetia ao seu face ou ao blog! Desde então, costumo a acompanhar! Vc escreve com um jeito leve e bem humorado, gosto mto! Obrigada pela dica da cabeleireira e quanto as dicas de vestido e maquiador, vou amar recebê-las! Beijos e mais uma vez, obrigada!

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