O que nunca fazer numa entrevista de emprego

O cara chega aqui, vestido de anos 60 com um topete preso no topo da cabeça por um granpo vermelho, calça justa e botina amarela.
Pergunto por que ele gostaria de ser vendedor em loja de decoração.
O sujeito responde que é jornalista e só queria vir porque está sem emprego. Quando percebe o erro complementa dizendo que, na verdade, adora moda e acha que os mundos moda e decoração se complementam.
Ofereço ajuda, dizendo que se não rolar aqui (e claro que não ia acontecer), poderia enviar o CV dele para os amigos da área, pessoas que trabalham em revistas e sites de moda importantes.
Ele responde “muito obrigado mas não precisa”.
Retruco desconfiada: “tem certeza?”.
E ele certo do que estava dizendo completa: “eu gosto de cobrir Oriente Médio, o resto é bobagem”.
Dai não consigo me conter, quase pulo da cadeira de vontade de perguntar até que aquilo sai de dentro de mim naturalmente…
“Ah é? Então me diz, você é pro Israel ou Palestina?” e ele, exaltado, vermelho e sem nem pestanejar responde com idealismo: “Palestina!!! Sempre!!! Morte a Israel!!!”.
Agradeço pela entrevista, me levanto e dou um cartão para ele. O sujeito lê atentamente meu sobrenome e timidamente pergunta: “Ai, você é judia, né?”

Para ler ouvindo Stevie Wonder – Higher Ground

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