Chico Buarque de Brasil

Chico tá no iPod, cai no vestibular e é citação obrigatória na terapia.
Chico diz, do jeito que a gente queria dizer, o sentimento e até o futuro.
Chico faz parte da vida porque é como se as letras dele fossem um pedaço da alma da gente conversando com o coração do outro.
Chico me conhece melhor que ninguém, sabe de tudo que eu sinto, de tudo que dói, de tudo que é bom e de tudo que eu quero, mesmo tendo conversado comigo apenas uma vez, em um restaurante, quando eu tinha 12 anos e fui pedir um autógrafo.
E hoje a noite, no auge do meu terrível resfriado que veio acompanhado do frio, não foi diferente.
O Chico ficou aqui, com uma garrafa de Concha y Toro, me fazendo companhia.

Futuros Amantes

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

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