Love is just a game

Eu tenho uma coisa triste para te contar.
Outro dia, não faz muito tempo, uma tal de vida veio e me contou uns segredos. Ela murmurou no meu ouvido e, depois, me pediu para jurar, prometer que eu nunca contaria isso para ninguém.
Acontece que eu, que nunca fui muito boa pra guardar segredos bombásticos, já fiquei pensando em alguém de confiança para compartilhar isso. Tinha que ser alguém com sangue frio e que não se impressionasse facilmente. E escolhi você.
Mas olha, não se anime muito com a fofoca porque na verdade ela é tão triste que dá até um aperto no coração só de imaginar você ai, na frente do seu computador, lendo isso.
E acontece também que eu não posso te enganar porque a mentira tem as pernas bem curtinhas e, se eu não te contasse ou tentasse amenizar os fatos, você acabaria descobrindo a verdade de um jeito ou de outro.
E olha, como foi com você que eu resolvi compartilhar isso, já vou avisando que é melhor fazer que nem com band aid, arrancar no susto pra doer tudo logo de uma vez.
Mas então, agora que você já se preparou psicológimente, devo dizer que, na verdade, são dois segredos tristes que eu tenho para te contar.
A primeira coisa chata, pra não dizer deprê, é sobre aquela sua paixão rescém adquirida.
Sabe aquela que faz seu coração ficar pulando enlouquecidamente só de pensar naquela pessoa? Que te fez perder 4kg em uma semana porque, no lugar de comer, você fica se alimentando de devaneios, sonhos e músicas melosas? Pois é! Essa paixão que te faz tão feliz, que deixa a sua pele brilhante, seus cabelos sedosos e acende seus olhos vai te trazer um punhado considerável de infelicidade.
Essa paixão também vai esmagar seu coração até ele parar de bater; vai, inclusive, arrancar a sua alegria e tirar as músicas românticas da sua vida para colocar outras que dão vontade de se matar de tanta tristeza.
E falando em tristeza, essa ai vai inundar o seu peito. Você vai sentir um vazio gigantesco, do tamanho do Grand Canyon durante dia e noite. Vai comer como uma louca para tentar preencher o buraco e tudo isso vai ser absolutamente em vão. Você vai perder a capacidade de concentração porque só vai conseguir pensar naquela pessoa durante todo o dia, imaginando onde ela está e pior, em qual companhia.
E um dia todo aquele temor de vê-lo com outra vai se concretizar e, sem mais nem menos, em algum bar que você adora, vai vê-lo acompanhado de uma pessoa que, na sua opinião, tem muito menos a oferecer do que você mesma tinha.
E você vai chorar, vai sofrer, vai xingar e vai até esmurrar o voltante do seu carro quando estiver no trânsito e passar um carro parecido com o daquela pessoa que costumava ter um toque de telefone cafona e só dela quando ligava para o seu celular.
E aquilo vai arder mais do que ardia quando tudo estava bem. Também vai queimar, apertar, revirar, rasgar, corroer e dilacerar.
Vão ser longos períodos de reflexão tentando entender onde você errou, qual foi a palavra mágica que, dita pela sua boca fez com que ele saísse correndo mais rápido que um foguete.
E agora que você já sabe de tudo isso eu posso finalmente te contar a outra coisa triste pois acho que você já está devidamente preparada.
O segredo número dois é sobre um tal de amor.
Esse aí é mais raro, acontece poucas vezes na vida.
É uma espécie de primo mais evoluído e sensato da paixão. Quando ele acontece deixa a vida mais colorida, feliz. Parece que finalmente a existência tem algum sentido.
O amor é… lindo. Quando é correspondido você tem a certeza absoluta de que nunca mais vai se sentir só e que, definitivamente, existe uma coisa chamada alma gêmea.
Quando ele acontece, paira no ar uma certeza de que você vai ter tudo o que sempre quis e com a ajuda de uma pessoa especial eternamente ao seu lado, nos momentos bons e maus.
E você, que nunca pensou no assunto, começa a desejar ter filhos com os olhos daquela pessoa mas com os seus cabelos. Ou vice-versa.
E quando ela não estiver por perto você vai sofrer com uma insônia chata e um frio que vai gelar a sua espinha só por passar uma noite longe dos braços quentes de quem ama.
E não acabou. Você vai passar por uma loja qualquer que estava no seu caminho e, com o dinheiro que tem na carteira, comprar algo pra esse alguém e não para você.
Mas a coisa que a tal da vida me contou é que o amor termina.
Um dia sem mais nem por quê ele sai do peito daquela pessoa sem explicação para nunca mais voltar. O amor, por ser um substantivo masculino, faz como os homens, vai comprar cigarros e desaparece.
E dai tudo que era colorido fica preto e cinza.
E nada mais tem sentido.
E quando isso acontecer com você vai te tomar um bom tempo de reclusão e de tentativas obcecadas de redescobrir quem é você, do que você gosta, quem são seus amigos e, principalmente se alguém anotou a placa do caminhão que te atropelou.
E vai levar dias, meses ou até anos para curar os soluços, as lágrimas e descrença na felicidade.

Mas a boa notícia é que isso faz crescer. Machuca, mas, acredite, passa. E passa no dia em que aparecer o antídoto: um novo alguém.

E você vai se apaixonar de novo pra depois amar de novo.
E quebrar a cara de novo. Ou não.

*Para ler ouvindo Mayer Hawthorne and The County – Just ain´t gonna work out

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s