*O causo do barquinho

Eu sou a rainha das histórias bizarras.
Todo mundo que me conhece sabe que, quando eu vou na balada, o cara mais esquisito e sem noção gruda em mim. Isso também se estende a bares, viagens e qualquer outro lugar onde exista gente desconhecida.
Por isso, seguindo o conselho de uma amiga que costuma dizer que “é um grande egoísmo você não dividir  esses ‘causos’  engraçadíssimos com o resto da humanidade”, resolvi começar aqui uma série de textos para mostrar que, não importa de qual manicômio os doidos tenham escapado, com certeza eles estão a solta e vão te alcançar.

Ontem fez um dia lindo. Domingão quente, ensolarado e nenhuma nuvem no céu. Peguei uma amiga na casa dela e fomos fazer umas comprinhas. De cara me apaixonei por essa corrente com o pingente de barquinho na foto ai de baixo.

Gostei tanto que, depois de embolsá-la,  fiz questão de sair da loja usando.
Quando acabamos de torrar nosso suado dinheirinho, fomos tomar um chope no nosso bar favorito da Vila Madalena.
Sentamos as duas em uma mesa que, como sempre, depois de 2 horas estava lotada de amigos e conhecidos.
Algumas muitas horas depois, já de madrugada, fui fumar um cigarro na calçada. De repente, antes que eu pudesse guardar meu maço no bolso, surge do nada um cara alto e feio e enfia seu isqueiro hype colorido (que eu tenho quase certeza que era um maçarico) na minha cara e acende meu cigarro já aceso.
“Putz, lá vem…” pensei.

– Oi moça, deixa comigo, eu acendo!
– Fiz que sim com a cabeça tentando não fazer “eye contact”, pra não piorar.
– Ou, e esse seu barquinho? Bacana, hein.
– Brigada.
– Você comprou, ganhou ou emprestou?

O infeliz continuava olhando firmemente pro pingente.

– Comprei.
– Por quê?
– Porque eu achei bonito.
– Só por isso ou porque tem a ver com as lembranças da infância?

Como todo mundo diz que eu sou muito estúpida com os caras que me abordam, estava treinando a “dalailamice”  e tentando ser simpática, juro.

– Não sei, acho que só achei bonito.
Ele continuava olhando o barco.
– Puxa, eu fazia barcos de papel quando era pequeno.
– Que bom. Eu também.
– Ainda me lembro como se faz…
– Jura?
– Nossa, mas sério, esse é o colar mais lindo que eu já vi.
– Valeu, também gostei.
– Não, mas é muito especial porque tem a ver com uma coisa que eu quero ensinar pros meus filhos…

Depois de 5 minutos desse papo eu me enchi porque sabe, que me desculpem os budistas, mas paciência tem limite!

– Bom, obrigada pelo fogo, mas vou voltar pra minha mesa que meus amigos estão me esperando.
– Pera, pera! Deixa eu ver mais um pouco o barquinho.
– Eu te dou o nome e endereço da loja se você quiser.
– Ah não, deixa eu olhar só mais um pouco, vai.
– Cara, na boa, por quê você tá olhando tanto o meu pingente? É só uma correntinha, não tem nada de mais.

– Gata, eu não tô olhando o seu pingente. Faz 5 minutos que eu tô olhando é pro seu decote e usando esse barquinho como desculpa.

Para ler ouvindo Nara Leão – O barquinho

2 responses to “*O causo do barquinho

  1. ãh, que barquinho?

  2. aquele que aparece na foto, tirada de um ângulo devidamente sem decote. rs

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