*O causo do pezinho

Era uma vez uma moça chamada Debora (que talvez tivesse outro nome).
Debora cursava o segundo ano da faculdade de jornalismo (mas talvez fosse publicidade), trabalhava como assistente da diretora de uma revista muito famosa e namorava um gaúcho (que talvez fosse carioca).
Um dia ela conseguiu um emprego melhor e se mandou de lá.
Dois anos se passaram e, solteira, Debora resolveu ir a uma festa de seus ex colegas de Veja (que talvez fossem da Trip).
Debora estava feliz e resolveu beber um pouco (mas talvez tenha sido muito).
De repente um de seus antigos colegas, um cara até bonitão, a aborda:
– Debi, quanto tempo! Como você está linda…
Debora, que era uma santa (nesse caso não tem talvez, ela era mesmo) começou a olhar o cara com outros olhos. Nunca havia reparado nele enquanto namorava. Ele era realmente interessante.
Os dois conversaram a noite toda. Ele foi chegando o cotovelo perto do dela, depois encostou a mão no ombro. A essa altura a moça, que era mesmo uma santa, já estava tremendo.
Debora parou, pensou e resolveu que o único jeito de desempacar era tomando mais um drink.
– Licença Paulo (que talvez fosse.. ah, deixa pra lá). Eu vou até o bar e já volto.
Debora que era alta (ou talvez fosse baixinha) se infiltrou no meio da multidão e pediu uma caipirinha de morangos. Agarrou o drink como se sua vida dependesse dele e começou a tomá-lo em grandes goles enquanto abria caminho no meio das pessoas.
De repente alguém puxou seu braço e tascou-lhe um beijo caprichado.
Era Paulo e ela retribuiu.
Os dois ficaram juntos, se beijando e batendo papo por horas.
– Debi, meu Deus, eu sempre fui louco por você. Sempre passava, te olhava e você nada.
No final da noite o moço queria o telefone dela. Ela disse que não, que era melhor deixar daquele jeito.
– Tudo bem, eu pego com o RH da revista.
Ela riu e concluiu que era verdade.
– Ok, vai. Anota aí.
Três dias se passaram e o celular de Debora tocou.
– Tô passando na sua casa pra gente ir jantar.
– Como assim Paulo? Você nem sabe se eu estou.
– Sei sim, acabei de chegar e vi seu carro estacionado.
– Você está aqui? Na porta da minha casa?
– Oh yeah, baby.
Com um pouco de medo Debora trocou de roupa e saiu.
– Onde a gente vai?
– Surpresa.
A essa altura ela preferia estar saindo com a ex sogra do que com Paulo.
Ele estacionou o carro. A surpresa era um restaurante japonês da moda.
Entraram. Estava lotado.
A hostess disse que havia  apenas uma mesa disponível e apontou para ela.
Debora fez que sim com a cabeça e Paulo disse que preferia esperar pelo tatame. Ela achou melhor não discutir.
Depois de quase uma hora de espera os dois foram conduzidos ao melhor tatame do restaurante.
Debora começou a tirar o tênis e percebeu que Paulo olhava fixamente para o streap tease de seus pés. Ela tentou desviar, colocando o corpo na frente para que ele não conseguisse mais ver. Foi em vão pois ele andou até o outro lado e continuou observando.
– Paulo, alguma coisa errada?
– Não. Você não vai tirar as meias?
– Não. Está frio hoje.
– Por favor!
– Que diferença faz?
– Ah Debi, deixa pra lá.
– Não, sério, o que tem de errado com as minhas meias? São brancas, não tem nada de mais!
– Tá, vou te falar, mas promete que não vai rir?
Se os telefones celulares tivessem  internet naquela época ela certamente teria procurado o número de uma clínica psiquiátrica ou de um guarda-costas.
– Prometo.
– É que eu te trouxe até o japonês porque, desde o tempo em que a gente trabalhou juntos, tenho um puta fetiche com os seus pezinhos. Já tive sonhos e mais sonhos com o seu dedão. Quando a gente sair daqui você deixa eu lamber eles?

Um dia, alguns meses depois, Debora estava no trânsito e viu Paulo no carro ao lado. Ela se enfiou de baixo da direção com tanta pressa que seu “pezinho” enroscou no acelerador e o carro foi direto no da frente. O conserto saiu caro mas pelo menos Paulo passou reto.

Para ler ouvindo Nouvele Vague – Blister in the sun

3 responses to “*O causo do pezinho

  1. puxa…o cara do pezinho parecia legal…torcia por ele…
    esperando o beijo do final da novela das oito…
    nem é tão mal ter fetiche por pezinho…eh?

  2. (ou talvez seja…num sei)

  3. ai nina, era. mas isso aconteceu lá por 2003, acho. medo!

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