Ode ao hoje

E dos corações dilacerados, do fundo dos dos corações dilacerados, já se pode ver entre cortes e arronhões o começo de algumas novas cicatrizes que virão.
E elas, as cicatrizes, vão ser tão intensas e imensasas e vão estar espalhadas por tantos lugares que não mais se poderá reconhecer o semblante de quem as carrega. Pelo menos não como era antes, não com o sorriso ingênuo que transparecia ternura. E depois de tão cético processo, fendas vão se abrir pela escuridão. E através das fendas raios da mais intensa luz vão romper com o nada e levar vida ao que antes era inóspito, transformando areia movediça em praia e lama em terra firme.
E a calma será espalhada pelo corpo estendido em lençóis sujos e maltrapilhos, testemunhas do cansaço, da tristeza e do suor derramado pela dor que o percorria. Os raios vão enfim trazer melhora, transformando o que antes fora beleza e hoje não é nada mais do que solidão.

Para ler ouvindo Tom Waits – Hold On

2 responses to “Ode ao hoje

  1. Sempre passa.😀

  2. uepa! só não passa quando eu escrevo se vai ficou (porque não revisei o texto) e vc não me avisa, bestalhão!🙂

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s