É coisa nossa

Toda vez que eu viajo para algum lugar começo a pesquisar freneticamente sobre o que fazer, aonde comer, quando ir etc.
Às vezes, quando dá tempo, chego a passar meses inteiros correndo atrás de informações.
E foi assim que eu cheguei à conclusão que, hoje em dia, não tem jeito melhor para ficar por dentro das coisas do que nos blogs alheios. Sinceramente, tem um povo que merece ir pro céu só por ter parado para dividir essas experiêncis preciosas de viagem com os outros.

Para concluir e você entender a minha ladainha acima, vou explicar:


Esse final de semana realizei uma vontade antiga e fui conhecer Inhotim que, a julgar pela quantidade de gente me escrevendo e ligando para pedir dicas, deve ser um daqueles destinos do momento.
Então, para simplificar e não ter que ficar reescrevendo e falando tudo para todo mundo, lá vai, para leigos em arte moderna (como eu) e para meus amigos que pediram, segue um guia de sobrevivência inteiramente dedicado a este lugar tão lindo. Ricardo Freire que se cuide. rs

O Instituto Inhotim é lindo, lindo, lindo, lindo! Coisa fina, de primeiro mundo mesmo. Vale muito a pena conhecer o maior acervo de arte a céu aberto do mundo.

Se você nunca ouviu falar, deixa eu te dar uma situada: reza a lenda que Bernardo Paz, um empresário poderoso começou a coleção de arte moderna em sua fazenda em Brumadinho, MG. Mas a coisa toda foi ficando tão grande e incrível que ele acabou abrindo o Instituto ao público há 6 anos (tem muita gente que diz que ele faliu e foi obrigado a fazer isso para se sustentar, mas eu já descobri que é mentira) e assim nasceu o Instituto. Mas olha, como você não está interessado nisso (e se tiver o Google tá ai para te ajudar) e sim nas dicas, faça o seguinte, leia sobre a história aqui e o resto deixa comigo.

Transporte
Conversei muito com todos que já tinham ido e pesquisei bastante na internet sobre o assunto. E só pude chegar a uma conclusão: se você é de SP (como eu) o melhor mesmo é ir de avião. A passagem ida e volta acaba saindo mais barata que os 3 tanques de gasolina que você vai gastar e o tempo economizado também é precioso. Eu li em diversos lugares que tem um ônibus que faz BH-Inhotim direto. Não vale a pena. Você precisaria pegar um taxi até a rodoviária de BH que é longe pra caramba do aeroporto e, chegando em Brumadinho, se virar para ir até a sua pousada. Alugue um carro e seja feliz. Nós alugamos um Celtinha guerreiro pela Hertz (R$ 67 a diária com km livre mais R$ 15 de seguro por dia) e foi ótimo. Ah, só para constar, o estacionamento de Inhotim é grátis.

Estadia
Quando você pesquisa para ir para lá, acaba se deparando com milhares de opções de pousadas lindas e chiquérrimas. Atenção! A maioria delas fica muito longe, tipo 40, 50km de lá. Confira direito antes de fechar a reserva (até porque o próprio site do instituto indica várias dessas). Por outro lado, se você quiser fazer uma viagem a 2 bem romântica, até vale a pena porque Inhotim fecha às 16h30 nos dias de semana e às 17h30 nos finais de semana. E, a menos que você queira curtir uma balada em Brumadinho (…), não vai ter absolutamente nada para fazer quando sair de lá. Fica aqui a dica para algum paulista empreeendedor: seja pioneiro em transformar Brumadinho em uma cidade charmosa tipo Monte Verde. Para isso basta abrir um restaurante bistrô por ali (daqueles pra paulista e carioca nenhum botar defeito). Com a alta procura e nenhuma demanda do local você vai ter movimento todas as noites e ficar rico!

Seguindo a recomendação de uma amiga, fiquei numa pousada chamada Nossa Fazendinha, que fica a apenas 6km de Inhotim. Não faça isso, não se hospede lá por nada nesse mundo! Os motivos são simples: o travesseiro deve ter uns 3 milímetros de altura, a cama de casal tem um colchão de viúvo minúsculo e torto, o banheiro estava com a lâmpada queimada, a TV sem controle remoto e o chuveiro elétrico queimou no momento em que eu ia entrar no banho. Além disso o restaurante deles é sujo e aberto para a estrada, o que faz com que você tome café da manhã e jante com caminhoneiros tomando cerveja e ouvindo música sertaneja (nada contra, só não era a nossa “vibe”). Mas para não cometer nenhuma injustiça, quero dizer que eles fabricam um doce de leite maravilhoso que fica a venda na lojinha colada ao restaurante, na beira da estrada.

Ah, e antes que eu me esqueça, tem um trêm que passa por Brumadinho de hora em hora apitando super alto (trêm mesmo, não é a gíria mineira). Prepare-se para levar um protetor auricular porque eu acho que nem mesmo na melhor pousada você escapa do barulho.

Na falta de um lugar decentemente para jantar em Brumadinho acabamos descobrindo uma pousada chamada Dona Carmita que, por sinal, era super perto da nossa. A comida e o lugar foram uma grata surpresa. O restaurante é bem arrumadinho e a comida estava super saborosa. O atendimento foi lento, mas muito atencioso. Nessa Dona Carmita os quartos são chalezinhos simples mas bem limpos e ajeitadinhos. Acho que, para quem quer gastar pouco (na medida do possível – a diária de final de semana para o casal  sai por R$ 200,00 com café da manhã) é a melhor opção.
Uma pessoa de Inhotim (o Bruno, chef de cozinha do melhor restaurante do Instituto) disse que a pousada Horizonte Belo é ótima e de longe uma das melhores pedidas. Como a indicação foi dele e não minha, não sei nada sobre preços nem posso dar mais detalhes, mas tenho certeza absoluta que ele sabe do que está falando e dica é “quente”.

Aliás, falando em Bruno, aproveito para agradecer a receita da banana da terra frita. Ainda não fiz, mas sei que vai ser um sucesso.

O INSTITUTO

Agora que você já alugou seu carro e já se hospedou, é hora de ir conhecer o parque.
Reserve pelo menos 2 dias para isso. Um dia é pouco e você certamente vai acabar perdendo alguma coisa imperdível. Se você for uma pessoa chique e iluminada dessas que não deve nada para ninguém e pode viajar durante a semana, ótimo! Eu tive a oportunidade de ver o Instituto na sexta e no sábado e posso lhe assegurar que é outra coisa. Na sexta estava tudo calmo, tranquilo e vazio. Já no sábado Inhotim foi invadido por carrinhos de bebê, famílias com adolescentes pentelhos, crianças e excursões.
Aliás, se você tiver filhos o passeio vale mais a pena ainda e é uma ótima opção para as férias.

As entradas custam R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia. A dica aqui fica em pagar mais R$ 10,oo por pessoa e pegar a pulseira-entrada que dá direito ao carrinho (tem carrinhos elétricos – tipo de golf – que fazem alguns trajetos lá dentro).

O melhor conselho que eu posso te dar sobre o assunto é alugar o carrinho pelo menos um dia. Assim você vê tudo que fica longe numa boa e confere o resto tranquilamente no dia seguinte. A gente fez isso e deu super certo.

Você vai andar muito! No primeiro dia nós ligamos o Nike air plus (que mede distâncias e mostra o mapa do trajeto que você andou através de um dispositivo conectado no tênis e no ipod) e ficamos espantados quando vimos quase 8 km percorridos. Aliás, vá de tênis e roupas bem confortáveis e leves pois lá faz muito calor.

Ainda sobre os 8km, fiquei tão espantada que no dia seguinte perguntei para uma funcionária do parque (são 600 funcionários espalhados para te ajudar com tudo que você precisar e muito bem treinados para tirar qualquer dúvida sobre as instalações e esculturas) como uma pessoa com dificuldade de locomoção faria. Ela disse que nesses casos ou os carrinhos dão uma força maior ou existe a possibilidade de alugar um carrinho particular com motorista para ficar a disposição durante todo o dia. A brincadeira sai por R$ 350,00, mas a boa notícia é que cabem 5 e o preço é o mesmo independente do número de pessoas.

Uma vez em Inhotim você vai ter que almoçar lá dentro. Mas fique tranquilo porque há opções de restaurante para todos os bolsos. Tem cachorro quente, pizza, pequenas lanchonetes e um ótimo restaurante chamado Tamboril (detalhe dele na foto abaixo).

O Tamboril funciona em sistema de buffet ou à la carte e a comida é ótima (exceto pelo fato dos pratos quentes que eu peguei estarem frios). Durante a semana o buffet completo sai por R$ 47,00 e o de sobremesas R$ 12,00. Aos sábados e domingos o preço sobe para R$ 55 e o das sobremesas eu não sei porque roubei um pedaço de doce de leite sem ninguém ver e comi escondida. O ambiente é uma delícia e você come ao som da melhor MPB. Só não sente lá fora, no jardim, por causa dos pernilongos.

Há ainda o restaurante Oiticica, que é lindíssimo e funciona com o sistema de kg, mas ele estava fechado para os funcionários nos dias da nossa visita.

O projeto paisagístico de Inhotim é assinado por Burle Marx e é absolutamente impressionante. Tem gente que desiste de passear para ficar largado na grama apreciando os lagos cheios de enormes carpas, patos, gansos e cisnes.

Eu não vou falar muito sobre os artistas e as obras para não estragar a surpresa, mas só para você entender, Inhotim é dividido em 3 tipos de mostras de arte: esculturas de artistas brasileiros e estrangeiros espalhadas pelos enormes jardins (que são maravilhosos e cheios de árvores e plantas rarírrimas).


Também há as instalações solitárias e impressionantes (a mais impactante de todas é esta da foto abaixo),

e museus ou galerias de arte que abrigam acervos de grandes artistas. Aliás a arquitetura desses pavilhões é um show a parte. Eu posso passar horas explicando, mas você só vai entender do que eu estou falando quando observar com seus próprios olhos.

Aqui preciso fazer um parêntese para falar sobre o museu da Adriana Varejão (que já foi esposa do Bernardo, curador do local e é uma das artistas brasileiras que mais valem lá fora). Além da obra dela, o museu é uma das coisas mais lindas que eu já vi. As curvas, a água pintada de turquesa que amplia as escadas, as fendas com iluminação e as surpresas quando você olha para o teto. É tudo um espetáculo a parte. Se você gosta de fotografar então é obrigatório. Duvida? Dê uma olhada nessas fotos.

Infelizmente não é possível fotografar dentro dos museus, mas eu acho que pela qualidade das coisas por fora dá para imaginar o que tem dentro.

Agora uma última dica: tem um museu chamado Marcenaria que abriga uma sala de cinema. Nessa sala é exibido um vídeo de 50min sobre o trator da foto lááá de cima. Pelo menos era para ser sobre o trator. Por isso anote essa dica importante: não perca tempo assistindo a isso! Eu tentei, juro que tentei, mas sinceramente? Arte é uma coisa, non sense pornográfico é outra!

Mais uma coisa bacana é que Inhotim é lotada de estrangeiros que ficam maravilhados com o que vêem. E não é pra menos. O parque todo é limpíssimo, organizado e com placas explicativas em português, inglês, espanhol e francês. Depois de conhecer, eles saem daqui falando maravilhas da gente.

Ah, e antes que eu esqueça, uma coisa que eu achei genial. Se você não tiver ou esquecer a câmera, pode alugar uma na lojinha colada na recepção. Depois da visita eles gravam um CD e você leva as suas fotos.

E é isso. Inhotim definitivamente é um destino que vale a pena e que mostra pra gringaiada que a gente também sabe das coisas. Ou melhor, sabe fazer as coisas.

Um beijo e bon voyage!

Para terminar de ler assistindo esta entrevista

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