I know, it’s only rock n’ roll but i like it

Um dia, já faz uns 20 anos, alguém me perguntou qual era a melhor invenção do homem. Me lembro que na ocasião fiquei sem resposta e, acredite se quiser, trouxe essa pergunta comigo ao longo dos anos sem nunca conseguir chegar a uma conclusão.
Acontece que essa semana o Pearl Jam voltou ao Brasil depois de 5 longos anos. E isso me deixou num estado meio catatônico e imediatamente depois do primeiro show tive a sensação de entrar em um túnel do tempo.
De repente me dei conta do quanto envelhecemos. Se antes o Eddie Vedder escalava andaimes, balançava a cabeça durante todo o show e revirava os olhos, hoje, aos 47 anos, ele dá no máximo uns pulos e umas rodadas de microfone. O Cameron tem na pele do bumbo de sua bateria o nome dos filhos e o resto da banda desfila com cabelos curtinhos e óculos.
Já nós, o público, se antes cantávamos aquelas músicas com 13 anos, hoje cantamos com 30. Também não temos mais longas cabeleiras e, certamente, se voltassemos com o jeito headbanger de ouvir música teriamos uma séria dor de cabeça.
E isso me fez ver o quanto já andamos com nossas vidas. Me lembro de ser pré adolescente e ficar sentada em frente ao meu enorme aparelho de som (como a gente gostava de coisas grandes nos anos 90) ouvindo, cantando, tirando acordes aéreos durante os solos de guitarra e da bateria. Claro que não era só o Pearl Jam. Também tinha Ramones, Nirvana, Mudhoney, Alice in Chains, Lemonheads, Black Sabbath, Pixies, Sonic Youth e mais uma lista interminável de bandas e cantores de todos os gêneros de rock.
Era um tempo onde não havia internet e tratavamos de nos ocupar com música. A MTV havia acabado de chegar no Brasil e a programação estava muito, muito longe de ser essa grande porcaria que é hoje. Através dela conheciamos as bandas mais legais e, pelo menos eu, encomendava uma lista enorme de CDs a todos os parentes que iam viajar para o exterior.
Quem viveu naquela época e não se lembra de ficar sentado no quarto olhando para a parede e cantando a tarde toda enquanto simplesmente ouvia o que as letras e os músicos estavam falando? Me atrevo até a dizer que a minha geração aprendeu a falar inglês só para entender as letras das músicas.
Mas a questão é que aquelas calças rasgadas, All Stares pretos furados, camisas de flanela e cabelos enormes (tanto nos homens quanto nas mulheres) nos tornavam pessoas. Era através disso que conseguiamos nos comunicar com o mundo enquanto sobreviviamos a ele. E tudo aquilo fazia muito sentido. Era quase que um ato político gostar dessas bandas. O movimento grunge e o punk  tinham força e, fato, foram os últimos movimentos musicais que diziam e representavam alguma coisa.
Naquela época as letras das músicas tinham relevância. Falavam sobre aborto, solidão e política. As coisas tinham mais sentido e aquelas bandas eram as porta-vozes de uma geração inteira. Rostos como Eddie Vedder e Kurt Cobain decoravam nossas paredes, camisetas, fichários e conviviam lado a lado com os Beatles, Jimy Hendrix, Rolling Stones e Led Zeppelin em nossos CD players.
Mas como eu já disse lá em cima, é muito engraçado perceber que agora somos parte de um sistema e não temos mais tempo para idealizar, sonhar e ficar sentados olhando para a parede, ouvindo música e pensando na profundidade das letras e acordes.
Mas não tem problema. Mesmo que os nossos ídolos comecem a fazer plástica, mesmo que o som do estádio não seja mais tão alto quanto era antigamente, mesmo que as camisas de flanela tenham dado lugar a camisas sociais, mesmo que os cabelos compridos tenham sido cortados, mesmo que hoje em dia sejamos todos caretas e que as músicas do nosso tempo já tenham 20 anos de idade eu ainda acredito no Rock.
Ainda acho que um dia vou ter o prazer de ver meus filhos ouvindo meus CDs antigos com a mesma curiosidade e interesse com que eu ouvia os discos de vinil dos meus pais.
Espero que os novos adolescentes percebam que o rock é para ser branco e preto e não colorido e cheio de frescura (com exceção do Kiss que tem licença poética para ser daquele jeito). E que as novas gerações consigam entender que o o rock existe para libertar e não para rotular.
E é por isso que finalmente consegui chegar a uma resposta para aquela pergunta que martela na minha cabeça há tantos anos.

A melhor invenção do homem foi, sem qualquer sombra de dúvida, o bom e velho Rock n’ Roll.

Para ler ouvindo Pear Jam – The Fixer

2 responses to “I know, it’s only rock n’ roll but i like it

  1. Puts, é bem por aí. Eu ouvia o Vs. atevcansar também. E long live to rock and roll!

  2. É isso mesmo, LONG LIVE TO ROCK N’ ROLL, Pedro!

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