Manual prático de como encarar bem o fim de um namoro

A primeira coisa que você precisa saber antes de ler esse texto é que ele só vai funcionar se você tiver de uns 25 anos pra cima (com menos do que isso a gente ainda acha que vai morrer solteira se não fizer tudo que pode para continuar com aquele traste).
A segunda coisa é que você tem que estar mesmo disposta a esquecer o ex.
Se ainda tiver dúvidas é melhor voltar e esgotar o assunto para não sofrer mais com uma coisa que ainda não acabou. Dai, no momento certo, você vai ter a certeza de que tem condições de cair fora. Eu digo isso porque acabar um relacionamento nunca é tão fácil quanto nossas amigas dizem nem tão bom pra gente quanto nossa mãe aposta. Na verdade, na maioria das vezes é foda porque muda toda a vida, as relações e a rotina. E acredite: a gente se apega mais do que imagina à rotina.
Mas continuando, a terceira coisa que você precisa estar ciente é que amiga de verdade nem sempre é aquela que passa a mão na sua cabeça. Como diria o secretário da FIFA, às vezes um chute na bunda vai muito bem. E eu tô aqui pra isso.

Então tá. Podemos começar?

1. O começo
Um belo dia você conheceu o cara e se interessou. Dai, como tem que ser, rolou o primeiro beijo e depois, no dia seguinte, você ficou que nem idiota esperando o telefone tocar até que finalmente ele te chamou para sair. Algum tempo depois (ou nenhum se você for mais apressadinha) vocês transaram pela primeira vez. E tomaram o primeiro banho juntos, dormiram de conchinha e foram até a padoca da esquina pra começar o dia com o café da manhã mais romântico da história da humanidade.
 E depois de tudo isso, um dia você estava indo pro trabalho quando percebeu, de repente, que não conseguia pensar em mais nada que não fosse ele e que estava com uma sensação de que iria explodir porque nunca tinha tido um lance de pele tão forte assim com ninguém. Nesse momento você sacou que estava louca e desesperadamente apaixonada.
Ah, e antes que eu me esqueça, você precisava dividir isso com alguém e escolheu a sua mãe, que te aconselhou a não contar pra mais ninguém até ficar sério. Afinal, segundo ela, todas as suas amigas iam colocar olho gordo no seu novo amor.
E me corrija se eu estiver errada, mas todos esses fatos aconteceram, só não necessariamente nessa ordem.
Bom, passado tudo isso, vocês começaram a namorar. Normal. Era a ordem natural das coisas. Mas até ai você ainda estava encantada e louca para ter filhos fofos com o seu rosto e o cabelo dele (a menos claro, que ele fosse careca). Mas enfim, o tempo passou. Dias, meses e talvez até anos. Tanto faz.
 O que interessa é que ai sim minha amiga, o inevitável aconteceu. Você começou a ver os defeitos dele. Coisa que você nunca havia enxergado antes.
 Sem querer, por causa de um almoço, você percebeu coisas como por exemplo que ele era pão duro, egoísta, grosseiro mal-educado ou mal- humorado.
 E não importa qual foi o defeito que você detectou e nem a ocasião. O que importa é que, tanto você quanto ele, começaram a notar coisas que não gostavam um no outro. E dai você sentiu aquela primeira broxada. Ignorou, mas sentiu.
Tá, ok. Até agora eu contei a história da sua vida, eu sei. Então vamos pular logo para a segunda etapa.

2. O meio
Tá tudo nublado. Tem uma nuvem preta que não sai de cima da sua cabeça e você mal consegue dormir porque está cheia de dúvidas, incertezas e decepções. É mais ou menos nessa fase que você começa a vasculhar o celular dele enquanto o aspirante a ex faz qualquer outra coisa menos interessante do que transar com você (mesmo que a última vez tenha sido há mais de uma semana).
Agora ele tira um ou dois dias da semana para sair com os amigos e ai de você se resolver precisar da companhia do dito cujo nessa hora. “Eu te amo, mas preciso de espaço” é quase sempre o que eles dizem. E gata, convenhamos, não tem nada demais ele sair com os amigos. O problema é que talvez ele esteja evitando sair com você. Mas tudo bem porque você é compreensiva e sempre cede. Ou inventa um dia com as suas amigas pra não ficar atrás.
Ai uma noite qualquer você realmente precisa dele, mas ele dá de ombros e vai pro Poker. E você engole, pois sabe que no final de semana, ele vai te dar alguma atenção.
 Nada feito. Ele até aparece e fica com você na sexta e no sábado, mas já avisa que domingo tem jogo e ele marcou com a galera.
 E lá vai você, caçar o que fazer. Mas tudo bem. Você ama ele e sabe que uma vida a dois normal é assim, cheia de concessões e outras coisas. No final sempre vale a pena porque você acaba indo ver as amigas, a mãe, a tia ou qualquer outra pessoa querida pra quem você não dá atenção já que precisa dedicar seu tempo para fazer o relacionamento funcionar. E sabe o que mais? Ainda assim, quando ele volta para os seus braços, diz que você está cobrando ou chateando quando pergunta quem foi e porque ele demorou tanto. E em algumas noites você se pega colocando a cabeça no travesseiro e perguntando “Papai do Céu, é realmente isso que eu quero pra minha vida? Isso é normal?”.
A próxima etapa é quando você fala A e ele entende B.
 Você quer massa, ele quer feijoada. Você quer praia, ele quer campo. Você quer que ele te busque, ele quer que você descambe até a casa dele. É assim. É normal. O que não é normal é o desgaste que as coisas começam a ter. E olha que você tenta, se esforça. Ele também, mas em momentos que você já jogou a toalha. Dai você espirra ele diz que é TPM. Você diz que tá com calor, ele diz que é TPM. Você se irrita com isso, ele diz que é TPM. E quando você realmente está de TPM, ele diz que é tudo, só não consegue perceber que você está de TPM e precisa de carinho e paciência.
Nessa fase começam aquelas brigas mais feias, onde um joga na cara do outro as verdades mais doloridas (e são sempre verdades, senão não machuca).
Ele fala dos seus defeitos, você ouve. Você fala dos dele, ele rebate e diz que você é maluca. E vice versa. Mas a real é que já não faz mais a menor diferença porque, uma vez que a merda foi jogada no ventilador, não tem Veja, Ajax ou Sapólio que consiga deixar tudo limpo de novo. E dai vocês acabam.

3. O Fim
E você chora. Esperneia. Grita. Xinga. Liga sem parar pras amigas tentando entender o que foi que aconteceu.
E quando toda aquela raiva passa, você começa a se sentir sozinha. Depois muito sozinha. Até que a solidão toma conta de você.
É nessa fase que você tenta fingir que é um homem e vai pra balada pra “pegar geral”. Se consegue se sente culpada, se não consegue se sente um lixo. Às vezes aparece um cara nessas horas e, na maioria das vezes, a gente se apaixona perdidamente porque nem se dá conta, mas ele representa uma tábua de salvação, um portal que nos tiraria diretamente dos dias negros para a felicidade eterna. Mas esse príncipe encantado ou é um cafa de marca maior ou um grude que merece ser pisado por não ser o que você procura.
Aí, depois de uns dias na farra, você chega aquela brilhante conclusão: “ele era ótimo pra mim, eu que fui uma idiota! Nunca mais vou achar um cara como ele!”. E você resolve que o seu ex era melhor do que todos os caras e acaba dando um jeito de voltar com ele.
E é aí que toda essa parte 3 se repete até que as suas forças (ou as dele) acabam e a óbvia conclusão de que não adianta mais dar murro em ponta de faca é tomada por um dos dois. E você respira fundo, dá uns tapas numa almofada e sofre perdidamente.

4. O Recomeço
Menina, repare que o relato aí de cima, tão familiar pra todas nós, foi dividido em começo, meio e fim.
Então, agora que você conseguiu perceber que, de fato a coisa não ia pra frente, e fez a parte mais difícil que foi tomar a decisão (ou ser vítima de uma decisão tomada) pense que, na verdade, isso tudo foi um aprendizado, uma evolução para o seu bem.
E pense que, se um dia você conheceu seu ex sem querer, também vai conhecer outro cara. E um cara que esteja na mesma “vibe” que você. Que queira as mesmas coisas e que já vai estar calejado, como você, por ter passado por algo semelhante antes.
E dai você se apaixona de novo, sente aquele frio na barriga, a boca seca, vontade de se arrumar, ficar linda pra se entregar de coração para aquela nova paixão que pode ou não dar certo. E que, se não der, vai ser apenas mais um degrau para te aproximar do seu destino. Porque um fim de namoro é isso. É nos deixar mais fortes pros próximos que virão, até que a gente encontre a pessoa certa. E quando você encontrar essa pessoa, vai imediatamente esquecer de todo sofrimento por causa do ex.
Então lembra-se que o fim é SEMPRE uma nova chance de recomeçar.

Para ler durante a fossa
Gotye • Somebody that I used to know

Para ler vendo e ouvindo depois da fossa
Hall and Oates • You Make my Dreams

7 responses to “Manual prático de como encarar bem o fim de um namoro

  1. Li o seu texto por uma amiga que acabou de compartilhar no Facebook. Fanteastico! Muito obrigada. Era o que eu precisava nessa fase da minha vida. Ajudou demais mesmo.
    Vou colocar seu blog nos meus favoritos. Parabéns.

  2. Incrível seu texto! Eu cho que só faltou você falar que a gente tem que se pegar em alguma raiva que ficou. Algum ódio. Isso nos dá tanta força para conseguir continuar no fim…
    Me chamo Gaby e vou te ler sempre. Obrigada!!!!!!
    Bjxxx

  3. ClaIdio Santanna

    FUDIDO

  4. Obrigada pessoal. Fico feliz que vocês tenham gostado. Beijos

  5. é incrível. parecia que você é minha amiga e resolveu contar minha historia no seu site.
    lindo o seu texto! pior que é assim mesmo.
    eu escrevi um texto no meu blog sobre as tres fases do meu ultimo namoro que voce praticamente traduziu neste texto.

    mulheres, temos que pensar que somos fortes e nos valorizar, mas confesso que ate hoje eu fico com medo de nao encontrar alguem

    • Oi Vert. Que delicia receber seu comentario e saber que o meu texto fez sentido para alguem. Olha, fica tranquila. Vc vai ver que, quando menos esperar, vai encontrar alguem bem melhor que o seu ex. A vida é assim. Depois que sai uma pessoa, sempre vem uma melhor. Acredite em mim. Bjs e obrigada pela visita.

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